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Efeitos da Síndrome da Disfunção Cognitiva no Comportamento de Gatos Idosos

A degeneração cognitiva que ocorre a medida da idade, pode se tornar uma Síndrome similar ao Alzheimer humano. Saiba como detectar e cuidar do bem-estar do seu felino na melhor idade.


Os gatos passam a serem considerados idosos acima dos seis anos de idade. Dos 7 aos 10 eles são considerados adultos maduros, dos 10 aos 14 eles são sêniores e acima dos 14 eles são considerados geriátricos.


Com o aumento das possibilidades dos cuidados para pets nos últimos anos, avanço da medicina veterinária e nutrição animal, assim como uma maior conscientização das necessidades comportamentais serem atendidas, os gatos passaram a ter uma maior expectativa de vida quando domiciliados. Em vida livre os gatos têm uma expectativa de vida que gira em torno de 4 anos apenas, já em domicílio essa longevidade pode passar dos 14 facilmente. A gata mais velha do mundo tem 32 anos, consiste em uma gatinha Britânica.


Com a idade questões clínicas e comportamentais irão surgir devido a degeneração do sistema como um todo. Déficits nos órgãos dos sentidos, sistema musculares, ósseos e a capacidade cognitiva podem decair prejudicando a qualidade de vida e bem-estar do animal. A degeneração da cognição pode ocorrer promovendo uma Síndrome denominada Disfunção Cognitiva (SDC) que acomete o sistema nervoso central ocorrendo similarmente à doença de Alzheimer em humanos.


As causas exatas sobre o desenvolvimento da SDC ainda permanece em estudo na ciência, no entanto, acredita-se que várias alterações no cérebro sejam envolvidas no seu desenvolvimento, incluindo danos oxidativos, alterações vasculares e comprometimento do fluxo sanguíneo cerebrovascular. Outras questões relacionadas a degeneração cognitiva podem ocorrer em gatos senis como: perda neuronal, atrofia cerebral, alargamento dos sulcos e aumento ventricular.

O diagnóstico de SDC é realizado por meio de exclusão e avaliação por meio do médico veterinário que realizará uma série de avaliações clínicas e exames para identificar quais características da síndrome estão presentes e possíveis demais patologias que podem estar envolvidas em relação à idade.


A maioria dos sintomas relacionados à doença estão ligados ao comportamento do gato, comprometendo sua qualidade de vida e autonomia, como:


1) Desorientação: dificuldade de encontrar e acessa recursos, olhar fixo para um ponto, dificuldade em se locomover, realizar rotas repetitivas;


2) Eliminação em locais inadequados; fezes e/ou urina fora da caixa de areia;


2) Hipervocalização: vocalização para pedir recursos, chamar atenção ou miados em alta frequência sem objetivo aparente;

3) Agitação Noturna: alteração no ciclo do sono, dormir pouco e andar pelo ambiente a noite;


4) Hiper-apego: demonstrar maior dependência para acessar recursos, ter atenção dos tutores, se demonstrar com maior necessidade de contato próximo e físico.






Apesar de não ter cura, a SDC pode ter seus sintomas amenizados e é possível que seja proporcionada uma melhoria em sua progressão. Inúmeras condutas ambientais podem ser colocadas em prática para aumentar a atividade, autonomia e estimulação para promover a plasticidade neural e aumento da capacidade cognitiva.





Caso seu gato apresente um ou mais dos sintomas citados e esteja na faixa etária dos idosos, procure auxílio veterinário e comportamental para que condutas personalizadas sejam orientadas e colocadas em prática para que a longevidade do seu felino tenha melhores níveis de bem-estar.


Conte conosco para que seu idoso tenha a melhor idade com saúde mental.


Por:


Dra Juliana Damasceno

Bióloga, Mestre e Doutora em Psicobiologia

Fundadora da WellFelis Comportamento e Bem-Estar Felino


Referências Bibliográficas


Klug, J., Snyder, J. M., Darvas, M., Imai, D. M., Church, M., Latimer, C., ... & Ladiges, W. (2020). Aging pet cats develop neuropathology similar to human Alzheimer’s disease. Aging Pathobiology and Therapeutics, 2(3), 120-125.


Sordo, L., & Gunn‐Moore, D. A. (2021). Cognitive dysfunction in cats: Update on neuropathological and behavioural changes plus clinical management. Veterinary Record, 188(1), e3.





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