Mito ou Verdade? Gatos são independentes

A figura do gato doméstico é envolta por diversos mitos construídos por nossa cultura no decorrer dos anos. Muitos deles prejudicam a imagem de um bom companheiro como: ser "traiçoeiro", "não ser carinhoso", "ser interesseiro", "dar azar" e outros podem até mesmo parecer "favorecer" a ideia em se adquirir um gato como animal de companhia, como o de "ser independente". E você, nosso querido gateiro wellfelinx? Acha que seu bichano é independente?


A resposta é: "Mito", gatos não são tão independentes quanto pode-se pensar. Este mito da independência dos felinos domésticos, deve-se a sua característica de comportamentos mais próximos do selvagem e a impressão de pouca requisição de atenção e cuidados ao compararmos gatos a cães, mas engana-se quem pensa que gatos não exigem cuidados ou que não "se apegam" aos seus tutores. Gatos são animais domésticos e uma espécie muito diferente do cão, por isso exigem cuidados diferenciados, e não ausência ou menor necessidade de cuidados.

A ausência de cuidados ideais pode gerar diversas complicações na saúde física e psicológica dos felinos, como: patologias oriundas de estresse, complicações decorrentes da ansiedade, eliminação fora da caixa de areia, conflitos entre gatos, agressividade, automutilação, obesidade, entre outros. Os gatos estão crescendo cada vez mais como animais de companhia, pois o comportamento da espécie é mais adaptável ao nosso cotidiano agitado.



Seu hábito crepuscular, que concentra seus níveis de atividade ao amanhecer e entardecer (noite), coincide, geralmente, com nossos horários livres (horário comercial). Outro ponto de facilidade na adaptação é a praticidade para o local de eliminação (caixa de areia), assim como a flexibilização em se adaptarem em locais menores, como apartamentos. Mas é extremamente importante prover os cuidados específicos, considerando as necessidades da espécie, as características individuais de cada gato, idade, assim como o número de animais que compartilham o mesmo ambiente.


O gato necessita de cuidados, como recursos ideais disponíveis em quantidades e localizações apropriadas, atividades e enriquecimento ambiental adequados incluindo contato social principalmente o humano realizado de maneira positiva, consistente e previsível. No entanto, eles demonstram afeto e "apego" aos seus tutores em sua maneira felina de ser. Uma pesquisa recente publicada em 2019 pela revista científica Current Biology, demonstrou que gatos domésticos demonstram um nível de ligação social a seus tutores, na mesma proporção que crianças e cães o fazem.


A ausência de cuidados apropriados e a própria ausência do contato ideal com os tutores pode gerar um transtorno comportamental denominado como “ansiedade de separação” ou “hiper-apego” ainda pouco estudado pela literatura, mas que vem ganhando enfoque em pesquisas e assiduidade em consultorias comportamentais de felinos.


A ausência da presença e contato com os tutores, e a ausência da renovação de suas necessidades, incluindo contato social positivo é prejudicial ao bem-estar físico e emocional dos felinos domésticos. Assim sendo, é imprescindível a aquisição de um serviço especializado para estes os cuidados específicos quando o tutor se ausentar por mais de 24 horas. Para isso profissionais intitulados cat sitters atuam na área de cuidados essenciais para o bem-estar dos gatos na ausência de seus tutores.


Portanto, é fundamental o conhecimento sobre a espécie felina, os cuidados necessários ideais, para um manejo diário que mantenha a saúde física e psicológica dos gatos em estado satisfatório. Um manejo que considere as necessidades apropriadas e a “dependência” dos gatos domésticos para que esses cuidados sejam providos por seus tutores.


E seus bichanos? São dependentes ou independentes de cuidados e contato social?


Dra Juliana Damasceno

Bióloga, mestre e Doutora em Psicobiologia

Fundadora da Wellfelis


Referências:


VITALE, Kristyn R.; BEHNKE, Alexandra C.; UDELL, Monique AR. Attachment bonds between domestic cats and humans. Current Biology, v. 29, n. 18, p. R864-R865, 2019.

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